Mostrar mensagens com a etiqueta Revolução. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Revolução. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A revolução Islandesa. Exemplo a seguir.

Assim vale a pena fazer revoluções!

Graças à revolução social, a Islândia irá triplicar o seu crescimento em 2012 porque conseguiu acabar com o desgoverno e julgou e prendeu os responsáveis da crise financeira.

Os islandeses começaram a redigir uma nova constituição por eles e para eles e, hoje, graças à mobilização popular, já têm o país mais próspero de um ocidente submetido à tenaz crise da dívida.

É a cidadania islandesa, cuja revolução, em 2008, foi silenciada na Europa por se temer que outros países a seguissem. Os islandeses conseguiram isso, graças à força de uma grande união nacional. O que começou por ser uma crise, converteu-se em oportunidade, uma oportunidade que os movimentos de todo o mundo têm observado com atenção e têm posto como modelo realista a seguir.


Consideramos que esta história é uma das melhores noticias dos tempos que correm, sobretudo depois de se saber que, segundo as Previsões da Comunidade Europeia, este país do norte atlântico, fechou 2011 com um crescimento de 2.1% e, em 2012, este crescimento será de 1.5% - um valor que supera o triplo de todos os países da zona Euro (e a tendência de crescimento vai aumentar, inclusive em 2013, atingindo os 2.7%).


Os analistas prevêem que a economia islandesa continuará a mostrar sintomas de desequilíbrio e que a incerteza continua presente nos mercados, porém, gerou-se emprego e a dívida pública diminuiu de forma palpável.


Este pequeno país do árctico recusou resgatar os bancos, deixando-os cair e aplicou a justiça sobre quem tinha provocado o descalabro e os desvios financeiros.


As reviravoltas da história islandesa nos últimos anos são múltiplas e, apesar de se dever parte dos resultados à grande movimentação social, pouco se tem falado do esforço que este povo tem realizado. Sobretudo, parece-nos importante mencionar a história que fala de um povo capaz de escrever o seu próprio futuro sem ficar à mercê dos que decidem tudo com leis alheias à realidade do povo (apesar de existirem muitos buracos por tapar e escuros por iluminar).


A revolução islandesa não causou vítimas senão entre os políticos e os homens de finanças. Não derramou nenhuma gota de sangue e também não foi tão apelativa como a Primavera Árabe, nem sequer tem sido mediática, mas conseguiu os seus objectivos de forma limpa e exemplar.


Hoje, este caso, pode iluminar o caminho de todos os “indignados”, dos movimentos de ocupação do Wall Street e de todos os povos que exigem mais justiça social e mais justiça económica.

By: Frei Fernando Ventura 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sopram ventos de mudança.Será uma nova revolução ?

Há cerca de 3 ou 4 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses, que irá mudar a nossa sociedade e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos!

O mesmo ocorreu noutros períodos da história recente: no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68, além e aquém Atlântico, ou na crise do petróleo de 73.

Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer.

1º- A Crise Financeira Mundial: desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se "bancarrota") e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo que quer dizer: "emprestado virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !...

2º- A Crise do Petróleo : Desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há 2 semanas a uma subida no preço dos bilhetes de... 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste factor: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (...e as férias massivas!), a inflação controlada, etc...

3º- A Contracção da Mobilidade : fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e as trocas físicas comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º- A Imigração: a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com direitos à custa das matérias-primas e da pobreza deles)!

5º- A Destruição da Classe Média : quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a "varrer" o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e (descontados alguns matizes e diferente gradação) as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.

6º- A Europa Morreu: embora ainda estejam projectar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, que já não tem liderança e que já não consegue definir quaisquer objectivos num "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na "Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O "Requiem" pela Europa e dos "seus valores" foi chão que deu uvas: deu-se há dias na Irlanda!

7º- A China ao assalto! Contou-me um profissional do sector: a construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios.... da China. O gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke...). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes (eu já os vi!) e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia...helás! Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! (Os chineses estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais).

8º- A Crise do Edifício Social: As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e actuação comum...

9º- O Ressurgir da Rússia/Índia : para os menos atentos: a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha!

10º- A Revolução Tecnológica : nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos!

Eis pois, a Revolução!

Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um sinal de "vezes" e, no fim, têm um sinal de "igual". Mas o resultado é ainda desconhecido e... imprevisível. Uma coisa é certa: as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, a ter estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos.

Espera-nos o Novo, o Desconhecido, o Incerto! Como em todas as Revoluções!

Para terminar, leiam e meditem na frase da filósofa russo-americana Ayn Rand, judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920.

"Quando você perceber que, para produzir, precisa de obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem não negoceia com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar sem temor de errar, que a sua sociedade está condenada".

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A Revolução Cultural Maoista, em Portugal

A falta de alternativas políticas, a necessidade de os jornalistas produziram notícias chamativas, uma governação à vista e a desorientação geral face às dificuldades são factores que estão a desenvolver na sociedade portuguesa um ambiente de revolução cultural com os tiques que vimos na revolução cultural promovida por Mao na China.

De vez em quando elege-se um grupo culpado de todos os males, um grupo de contra-revolucionários burgueses, e é iniciada a perseguição. Um bom exemplo que ainda recentemente deu que falar é o número de deputados, como se o país pagasse a dívida soberana eliminando uma ou duas dúzias de lugares no parlamento. É evidente que ninguém se dá ao trabalho de fazer contas, inicia-se logo um processo de empalamento dos deputados, exibindo desde logo os que estão nas filas mais recuadas do hemiciclo. Ninguém se dá ao trabalho de reparar que há empresas municipais que nunca fizeram falta que gastam mais do que meio parlamento.

Há algum tempo o CDS contou as chefias da CP e promoveu o escândalo nacional das chefias, a partir de então criou-se a ideia de que em tudo o que é Estado há mais do que índios, políticos, comentadores e jornalistas passaram a dedicar-se a contar chefes. O governo aproveitou mais este tique maoista e o secretário de Estado da Administração Pública vestiu de imediato a farda de guarda vermelho e tornou-se no líder de mais este movimento purificador. Agora o objectivo é eliminar chefes, o objectivo é eliminá-los e enquanto isso não sucede deixam de se nomear ou reconduzir chefias. O resultado é que ainda antes de qualquer reestruturação no Estado milhares de técnicos qualificados já pediram a aposentação, vão ganhar tanto ou mais como aposentados do que ganhavam como chefes e o Estado perdeu alguns dos seus quadros mais qualificados. Daqui a um ou dois anos, quando esta vaga fundamentalista tiver passado, veremos muitos serviços públicos que foram decapitados durante esta revolução cultural a promover concursos porque ficaram sem quadros.

Se alguém parar para fazer contas depressa perceberá que o que dizem ter poupado não chega para pagar meio quilómetro da linha Poceirão-Caia, uma linha que não tirará um único cliente às companhias de low cost que voam entre Lisboa e Madrid, para compensar o custo de um décimo das borlas anunciadas por Sócrates para a sua nova auto-estrada em Trás-os-Montes ou para compensar a comparticipação do Estado na barragem do Tua que a troco de um aumento de 3% ou 4% da produção eléctrica vai destruir um dos locais com maior potencial turístico no norte do país, isto só para referir os projectos que foram notícia durante a semana passada.

E enquanto nós andamos armados em jovens guardas vermelhos a exibir as cabeças dos responsáveis por todos os nossos males, devidamente liderados por grandes líderes da revolução cultural como o Santana Castilho, secretário de Estado da Administração Pública, ou Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares, os grandes banqueiros e os administradores das grandes obras públicas vão esfregando as mãos de contentes porque enquanto os idiotas abraçam falsas causas eles vão beneficiando de chorudos apoios ao sitsema financeiro ou das obras públicas faraónicas que vão sendo lançadas.

Publicado no Jumento