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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Manuel, o desertor Alegre.



"Alguns elementos sobre o Bando de Argel"
Aqui fica para memória futura, um contributo do chefe Abílio Augusto Pires, escrito já há uns anos, para a biografia do conhecido desertor e traidor, Manuel Alegre.

Natural de Águeda ou arredores, Manuel Alegre fez a sua vida académica em Coimbra. 
Descendente de uma classe “média-alta” fez a vida normal de estudante de Coimbra, um tanto boémia e, nesse sentido, um tanto tradicionalista. 

Cedo se virou para a política o que, no ambiente de Coimbra, também era tradicional. 
Militou na “organização local” do p.c.p. e estou à vontade para afirmá-lo porque fui eu próprio quem desmantelou essa organização. 
Dos seus elementos com alguma responsabilidade ficaram dois: Silva Marques, hoje deputado do P.S.D. que, embora fosse estagiário de advocacia em Aveiro, vivia já numa situação de semi-clandestinidade, e o Manuel Alegre. Mas ficaram por razões diferentes. 

O primeiro, Silva Marques, porque mergulhou na clandestinidade e viria depois a fixar-se na Itália, onde entrou em litígio com o “partido” do qual veio a ser expulso, após ter feito várias autocríticas que, de resto, conheci. 
Manuel Alegre também escapou mas porque estava a prestar serviço militar no R.I. 12 (Regimento de Infantaria nº12) situado precisamente em Coimbra e já mobilizado para Angola, como alferes miliciano. 

A PIDE foi sempre um pouco avessa à detenção de militares mas, neste caso, pesou mais o facto de estar mobilizado. É, pois, totalmente falsa a ideia de que desertou por ser perseguido pela PIDE que não o prendeu porque não quis fazê-lo. As razões íntimas que o levaram à deserção só ele poderia explicá-las se bem que se tornou evidente para quem alguma vez ouviu a “voz da liberdade” ao longo dos seus 12 anos de funcionamento. 

E não venha dizer que não traiu. Fê-lo ao longo de 12 anos, não só pelas declarações que prestou como também pelas que obrigou a prestar. Trata-se de matéria conhecida mas que abordarei um pouco à frente.
 
Desertou e foi para Paris em 1962, estava a ser criada a FPLN (Frente patriótica de libertação nacional) que já se decidira iria funcionar em Argel, com o beneplácito do governo argelino e toda a sua protecção. Seria dirigida por Fernando Piteira Santos que fora funcionário do partido comunista português e expulso da organização uns dez (10) anos antes. 

Aliás, o governo argelino já autorizara também a instalação e funcionamento da rádio “voz da liberdade” da qual Manuel Alegre viria a ser o locutor até 25 de Abril de 1974. Assim, em meados de 1962, partiriam de Paris rumo a Argel Fernando Piteira Santos, sua companheira, Maria Stella Bicker Correia Ribeiro e Manuel Alegre. A FPLN cresceu rapidamente e tem que dizer-se que o seu principal indutor foi a rádio “voz da liberdade”. 

Tornou-se, assim, a breve trecho, num autêntico coio de traidores, grande parte deles desertores do Exército Português e também, ex-prisioneiros que, libertados pelo inimigo, eram para ali encaminhados e lá permaneciam em cativeiro pelo menos até se disporem a revelar perante os microfones tudo o que sabiam e não só: tinham igualmente que recitar “ipsis verbis” o discurso que lhes punham à frente. 

Só depois disso é que teriam hipótese de sair da Argélia. 
Esta atitude, que em qualquer país civilizado consubstanciaria a figura jurídica de “cárcere privado” era praticada pela FPLN com a cumplicidade do senhor Manuel Alegre: só que no Portugal democrático ninguém fala disso. 
Não seria trair?
 
E receber os chefes dos movimentos africanos que nos combatiam, ouvir e transmitir aí os seus dislates não seria trair?
E fornecer-lhes as informações que desertores e ex-prisioneiros de guerra eram forçados a prestar não seria trair?
 

Bom, se isto não era trair vamos a outro aspecto: 
Enviar homens – elementos da FPLN – para Cuba a fim de serem instruídos na guerrilha urbana, também não era trair? 
E a FPLN (não só mas também) enviou para lá alguns que foram treinados numa base cujo nome não me recordo de momento mas sei que dista 17 quilómetros de Havana e foram treinados entre outros por Alvarez del Bayo, antigo coronel do Exército espanhol que se bateu contra Franco e foi um dos homens do DRIL ( Directório Revolucionário Ibérico de Libertação) que organizou o assalto ao Santa Maria. 

E também me lembro que esses homens (da FPLN) foram treinados no fabrico e uso de explosivos e, ainda, a fazer guerrilha urbana com armas que eles próprios tinham que fabricar. E que aprenderam, por exemplo, a fabricar morteiros partindo de um simples cano retirado de um algeroz. Isto era bem mais do que trair. 

E para que dúvidas não restem, cito dois nomes: Eduardo Cruzeiro que foi jornalista do “República”, está vivo e tem um “bom tacho” na RTP, e Rui Cabeçadas que é ou foi advogado. 
E digo “é ou foi “ porque calculo que teria a minha idade, talvez um pouco mais, e não sei se é vivo ou já morreu. 

Chega? Não, não chega que eu tenho mais.
Sei que a vida na FPLN não era um “mar de rosas” para todos. Bem pelo contrário: as guerras entre essa organização e o p.c.p. era violentíssima. Chegou-se ao ponto de o p.c.p. ocupar a rádio pela força e a FPLN responder com um contra-golpe que consistiu em levantar os depósitos bancários do p.c.p., factos que obrigaram o governo argelino a intervir para pôr as coisas no lugar. 
E como nem o Dr. Pedro dos Santos Soares, membro da cúpula do p.c.p.  enviado para Argel conseguiu pacificar as hostes, este partido decidiu jogar a última cartada: nem mais nem menos do que Humberto Delgado. 
 
Álvaro Cunhal e o General Humberto Delgado
Estava no Brasil, sofria de doença grave e foi a Praga para se tratar. Foi aí que o p.c.p. o abordou e convenceu a ir para Argel. Foi-lhe dito que tudo o que se pretendia era unir a oposição e derrubar o “regime fascista” português. Ninguém se não ele poderia liderar essa união, preparar e comandar o golpe. Convencido do seu prestígio, acreditou e foi para a Argélia. 

Enganou-se, até porque nunca lhe passara pela cabeça que encontraria o que na realidade encontrou. Desconhecia que o p.c.p. jamais perdoaria a “traição” de Piteira Santos, que, embora marxista e reconhecido como tal, havia falado na PIDE. 
Mas havia outros problemas não menos graves: Humberto Delgado era um impulsivo e queria uma revolução imediata. 
O p.c.p., mais preparado politicamente, respondia que aprendera as lições da guerra civil de Espanha e da própria Guatemala. Era para eles evidente que “nenhuma revolução poderia triunfar sem que antes conseguisse o apoio das Forças Armadas”. 
Não embarcava em aventureirismos. 
Virou-se para a FPLN e a ela aderiu. 

Só que, logo que pôs o problema da revolução imediata, foi-lhe respondido que Lenine ensinava que “nenhuma revolução de massas poderia ser ganha sem que tivesse o apoio de uma parte do exército que houvesse servido o regime anterior”. 
Não percebera que uns e outros eram marxistas e sabiam que o comunismo não tinha a mínima hipótese de governar Portugal. 

O que interessava a todos era entregar a África Portuguesa à União Soviética. 
E isto significava para Delgado que “entre dois mundos ficara sem mundo”. 
Tentou, por sua vez, a última cartada: era amigo e um grande admirador de CHE GUEVARA que se transformara em mito de todos os revolucionários de todo o mundo. Pediu a sua ajuda e GUEVARA aceitou. Foi para Argel e por lá ficou uns tempos mas nada fez. 

Nem podia fazer: GUEVARA era agente do KGB soviético. E os interesses de Moscovo estavam muitíssimo à frente de Humberto Delgado, que ficou só. Sem dinheiro, sem saúde e sem apoios ameaçou entregar-se às Autoridades Portuguesas. 
Foi o seu fim. Não sei como nem em que circunstâncias. Tudo o que sei – e já o disse várias vezes – é que essa história continua mal contada. 
Quem sabe se o senhor Manuel Alegre não poderia levantar uma pontinha do véu?..." 

sábado, 15 de janeiro de 2011

Manuel Alegre, o Argelino, não é confiável

O mesmo candidato que, nos seus cartazes eleitorais, promete garantir democracia e estado social é um político com mais de três décadas de parlamento, mas com quase nula experiência governativa ou de gestão concreta de assuntos do Estado.

Na realidade Manuel Alegre foi secretário de Estado do I Governo Constitucional por escassos seis meses e fica na história por ter sido o governante que encerrou as quatro publicações do grupo da Sociedade Nacional de Tipografia em Fevereiro de 1977, atirando para o desemprego 900 trabalhadores daquele que era, à época, o maior e mais prestigiado grupo de imprensa existente em Portugal.

Talvez a história dos media portugueses fosse bem diferente se Alegre não tivesse assumido o papel de carrasco de um grupo de imprensa nessa altura. Por isso as suas declarações sobre o seu apego à Democracia esbarram no incontornável facto de, enquanto governante, a ter diminuído ao limitar – e muito - a oferta de imprensa existente.

O grupo de imprensa que Manuel Alegre encerrou integrava o jornal diário «O Século» e as revistas semanais «Século Ilustrado», «Vida Mundial» e «Mulher- Modas e Bordados». Era, em termos de qualidade e diversidade de títulos, um grupo ímpar na imprensa portuguesa da época.

Manuel Alegre acabou com ele de um dia para o outro, basicamente porque a linha editorial do «Século» o incomodava – a ele e ao Partido Socialista.

Quando assinou a morte do grupo do Século, Manuel Alegre fez promessas de uma reestruturação que nunca foi sequer iniciada. Na realidade o que interessava era encerrar aquelas publicações, limitar as vozes discordantes do Governo do PS.

No site da candidatura ou nos documentos oficiais de Manuel Alegre não se vê uma referência a esta sua acção enquanto governante. Manuel Alegre é do género de preferir esconder o que não lhe interessa. Talvez por isso esqueceu que tinha sido convidado por uma agência publicitária a escrever para uma campanha do BPP – e depois, quando a coisa se soube, meteu os pés pelas mãos.

Na realidade, Manuel Alegre não é um político fiável. Prefere esconder os seus erros a assumi-los.

(Publicado no diário Metro de 11 de Janeiro)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O estado social, e as suas conquistas..(????)

Pelas manchetes dos jornais nacionais, pode aquilatar-se do estado miserável, a que chegou o regime xuxialista e o seu tão querido "estado social".
Leiam:

"Escolas do 1º ciclo vão manter cantinas abertas nas férias para alimentar alunos carenciados"

"O Eurostat revela que a taxa de desemprego em Portugal fixou-se nos 11% em Outubro, a quarta mais elevada da União Europeia."

"A revista britânica The Economist prevê que este ano Portugal tenha a terceira pior evolução do PIB em todo o mundo, com uma recessão de mais de um por cento, juntando-se a um coro de instituições que não acreditam na previsão de crescimento marginal de 0,2 por cento da economia inscrito pelo Governo no Orçamento para 2011."

"Financiamento dos partidos é "uma das principais causas da corrupção" em Portugal, diz Marinho Pinto "

"Os televisores vão passar a estar desligados nas esquadras da PSP. Os agentes apenas podem ligar a TV para ver notícias. Vai acabar o correio postal, os telefones serão usados só em casos excepcionais e até os carros da patrulha serão lavados com a água da chuva. Estas são algumas das mais de 50 medidas que a Direcção Nacional da PSP distribuiu pelos comandos regionais e metropolitanos no sentido de se cortar nas despesas e aumentar as receitas"

É uma tristeza...e ainda há quem se diga defensor deste regime...Alegre, Louçã, Sócrates e os seus sócretinos, são os paladinos desta politica, que colocou Portugal atrás de países como Albânia, Roménia, e outros campeões da fome, desemprego, corrupção, insegurança, e sobretudo, falta de democracia...vivemos amordaçados, e akagaçados...
Até quando?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Manuel Alegre, não desertou, mas atraiçoou.

"Manuel Alegre desertor" é uma expressão com 9300 entradas no Google.

"Tecnicamente pode não ter sido desertor, mas isso é o que menos importa. Estar ao lado do inimigo é uma atitude que tem um nome. Para mim foi bastante pior que a deserção", afirmou o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Vieira Matias, em declarações publicadas no jornal i.

É o Manuel Alegre locutor na Rádio Voz da Liberdade que o almirante Vieira Matias ataca.

"A deserção em si é um acto isolado, sem consequências de maior. A rádio de Argel criava danos psicológicos nas nossas tropas e incentivava o inimigo a combater mais violentamente."

O facto de, para Alegre, a guerra ser injusta não demove as acusações do almirante.

"Poderia ser a opinião dele, mas não lhe dava o direito de criar condições para causar mais baixas nos seus compatriotas"

Manuel Alegre, nem as tarefas de Alferes do Exército Português, conseguiu desempenhar como devia. Quer agora ser Presidente da República de Portugal, um País pelo qual recusou dar o seu sangue.

Devia era candidatar-se a Presidente da Argélia, ou da Albânia, e deixar-nos em Paz.

Foto de guillamepazat/Kameraphoto