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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

"Adeus Portugal"- A Carta do outro Pedro

“Excelência,

Não me conhece, mas eu conheço-o e, por isso, espero que não se importe que lhe dê alguns dados biográficos. 

Chamo-me Pedro Miguel, tenho 22 anos, sou um recém-licenciado da Escola Superior de Enfermagem do Porto. Nasci no dia 31 de Julho de 1990 na freguesia de Miragaia. Cresci em Alijó com os meus avós paternos, brinquei na rua e frequentava a creche da Vila. Outras vezes acompanhava a minha avó e o meu avô quando estes iam trabalhar para o Meiral, um terreno de árvores de fruto, vinha (como a maioria daquela zona), entre outros. Aprendi a dizer “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite” quando me cruzava na rua com terceiros. Aprendi que a vida se conquista com trabalho e dedicação. Aprendi, ou melhor dizendo, ficou em mim a génesis da ideia de que o valor de um homem reside no poder e força das suas convicções, no trato que dá aos seus iguais, no respeito pelo que o rodeia.

Voltei para a cidade onde continuei o meu percurso: andei numa creche em Aldoar, freguesia do Porto e no Patronato de Santa Teresinha; frequentei a escola João de Deus durante os primeiros 4 anos de escolaridade, o Grande Colégio Universal até ao 10º ano e a Escola Secundária João Gonçalves Zarco nos dois anos de ensino secundário que restam. Em 2008 candidatei-me e fui aceite na Escola Superior de Enfermagem do Porto, como referi, tendo terminado o meu curso em 2012 com a classificação de Bom. Nunca reprovei nenhum ano.

No ensino superior conclui todas as unidades curriculares sem “deixar nenhuma cadeira para trás” como se costuma dizer. Durante estes 20 anos em que vivi no Grande Porto, cresci em tamanho, em sabedoria e em graça. Fui educado por uma freira, a irmã Celeste, da qual ainda me recordo de a ver tirar o véu e ficar surpreendido por ela ter cabelo; tive professores que me ensinaram a ver o mundo (nem todos bons, mas alguns dignos de serem apelidados de Professores, assim mesmo com P maiúsculo); tive catequistas que, mais do que religião, me ensinaram muito sobre amizade, amor, convivência,sobre a vida no geral; tive a minha família que me acompanhou e me fez; tive amigos que partilharam muito, alguns segredos, algumas loucuras próprias dos anos em flor; tive Praxe, aquilo que tanta polémica dá, não tendo uma única queixa da mesma, discutindo Praxe várias vezes com diversos professores e outras pessoas, e posso afirmar ter sido ela que me fez crescer muito, perceber muita coisa diferente, conviver com outras realidades, ter tirado da minha boca para poder oferecer um lanche a um colega que não tinha que comer nesse dia.

Tudo isto me engrandeceu o espírito. E cresci, tornei-me um cidadão que, não sendo perfeito, luto pelas coisas em que eu acredito, persigo objetivos e almejo, como todos os demais, a felicidade, a presença de um propósito em existirmos. Sou exigente comigo mesmo, em ser cada vez melhor, em ter um lugar no mundo, poder dizer “eu existo, eu marquei o mundo com os meus atos”. Pergunta agora o senhor por que razão estarei eu a contar-lhe isto. Eu respondo-lhe: quero despedir-me de si. Em menos de 48 horas estarei a embarcar para o Reino Unido numa viagem só de ida. É curioso, creio eu, porque a minha família (inclusive o meu pai) foi emigrante em França (onde ainda conservo parte da minha família) e agora também eu o sou. Os motivos são outros, claro, mas o objetivo é mesmo: trabalhar, ter dinheiro, ter um futuro. Lamento não poder dar ao meu país o que ele me deu.

Junto comigo levo mais 24 pessoas de vários pontos do país, de várias escolas de Enfermagem. Somos dos melhores do mundo, sabia? E não somos reconhecidos, não somos contratados, não somos respeitados. O respeito foi uma das palavras que mais habituado cresci a ouvir. A par dessa também a responsabilidade pelos meus atos, o assumir da consequência, boa ou má (não me considero, volto a dizer, perfeito). Esse assumir de uma consequência, a pro-atividade para fazer mais, o pensar, ter uma perspetiva sobre as coisas, é algo que falta em Portugal.

Considero ridículas estas últimas semanas. Não entendo as manifestações que se fazem que não sejam pacíficas. Não sou a favor das multidões em protesto com caras tapadas (se estão lá, deem a cara pelo que lutam), daqueles que batem em polícias e afins. Mais, a culpa do país estar como está não é sua, nem dos sucessivos governos rosas e laranjas com um azul à mistura: a culpa é de todos. Porquê? Porque vivemos com uma Assembleia que pretende ser representativa, existindo, por isso, eleições. A culpa é nossa que vos pusemos nesse pódio onde não merecem estar. Contudo o povo cansou-se da ausência de alternativas, da austeridade, do desemprego, das taxas, dos impostos. E pedem um novo Abril. Para quê?

O Abril somos nós, a liberdade é nossa. E é essa liberdade que nos permite sair à rua, que me permite escrever estas linhas. O que nós precisamos é que se recorde que Abril existiu para ser o povo quem “mais ordena”. E a precisarmos de algo, precisamos que nos seja relembrado as nossas funções, os nossos direitos, mas, sobretudo, principalmente, com muita ênfase, os nossos deveres. Porém, irei partir. Dia 18 de Outubro levarei um cachecol de Portugal ao pescoço e uma bandeira na bagagem de mão. Levarei a Pátria para outra Pátria, levarei a excelência do que todas as pessoas me deram para outro país. Mostrarei o que sou, conquistarei mais. Mas não me esquecerei nunca do que deixei cá. Nunca.

Deixo amigos, deixo a minha família. Como posso explicar à minha sobrinha que tem um ano que eu a amo, mas que não posso estar junto dela? Como posso justificar a minha ausência? Como posso dizer adeus aos meus avós, aos meus tios, ao meu pai? Eles criaram, fizeram-me um Homem. Sou sem dúvida um privilegiado. Ainda consigo ter dinheiro para emigrar, o que não é para todos. Sou educado, tenho objetivos, tenho valores. Sou um privilegiado.

E é por isso que lhe faço um último pedido. Por favor, não crie um imposto sobre as lágrimas e muito menos sobre a saudade. Permita-me chorar, odiar este país por minutos que sejam, por não me permitir viver no meu país, trabalhar no meu país, envelhecer no meu país. Permita-me sentir falta do cheiro a mar, do sol, da comida, dos campos da minha aldeia. Permita-me, sim? E verá que nos meus olhos haverá saudade e a esperança de um dia aqui voltar, voltar à minha terra. Voltarei com mágoa, mas sem ressentimentos, ao país que, lá bem no fundo, me expulsou dele mesmo.

Não pretendo que me responda, sinceramente. Sei que ser político obriga a ser politicamente correto, que me desejará boa sorte, felicidades. Prefiro ouvir isso de quem o diz com uma lágrima no coração, com o desejo ardente de que de facto essa sorte exista no meu caminho.

Cumprimentos,
Pedro Marques

Pedro Marques, enfermeiro português de 22 anos, emigrou esta quinta-feira, 18 de Outubro de 2012, de madrugada para o Reino Unido, mas antes despediu-se, com esta carta, do Presidente da República 

terça-feira, 22 de maio de 2012

Ramalho Eanes. Um exemplo a seguir.

Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si.

O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber. Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira.
 
O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor. Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros. Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro.
 
Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados. As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social.
 
Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. 

«Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a.Mas pedi-la, não. Nunca!»
 
O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.
 
“A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”.
 
Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta- acrescentando os outros.
 
“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”. O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética.
 
Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.
 
Autor: Fernando Dacosta

Nota: Já escrevi algures no Expresso um comentário sobre Ramalho Eanes, mas sinto-me na obrigação de dizer algo mais e que me foi contado por mais que uma pessoa.

Disseram-me que perante as dificuldades da Presidência teve de vender uma casa de férias na Costa de Caparica e ainda que chegou a mandar virar dois fatos, razão pela qual um empresário do Norte lhe ofereceu tecido para dois. 

Quando necessitava de um conselho convidava as pessoas para depois do jantar, aos quais era servido um chá por não haver verba para o jantar. 

O policia de guarda em vez de estar na rua de plantão ao fio e chuva mandou colocá-lo no átrio e arranjou uma cadeira para ele não estar de pé. 

Consta que também lhe ofereceram Ações da SLN-BPN, mas recusou

domingo, 22 de janeiro de 2012

Não se Queixem, por Daniel Bacelar

Tudo somado, o que irei receber do Fundo de Pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas despesas porque como sabe eu também não recebo vencimento como Presidente da República.
20-01-2012 Cavaco Silva, numa visita ao Porto

Minhas Queridas Amigas e Amigos.

Tentando dominar com alguma dificuldade a excitação em que fico cada vêz que vejo na TV qualquer comentário ou entrevista inclusivé aos senhores que estão a engraxar os sapatos (nada mau para os tempos que correm em que anda tudo "têso") além de que não se fala noutra coisa em toda a Europa quiçá mundo inteiro e....arredores!!!, não consegui ficar indiferente á última demonstração de eloquência e "sentido das coisas" do vosso Presidente (meu não é de certeza,pois esse só me enganou uma vêz e foi no principio desta "cegada" pós 25 de Abril).

Achei de uma enorme ternura e sentido de estado aquela "coisa" dos  €1300, e das economias que "eu e minha mulher" fazemos pondo sempre "algum" de parte.
 
Este sujeito,é realmente uma revelação,pois apesar de ser muito contido naquilo que diz,cada vêz que o faz é sempre um chorrilho de asneiras de entre as quais a sua coroa de glória,foi aquela em que foi visitar um matadouro e tinha ficado emociando com o ar das vacas caminhando para a morte!!!!
(é bonito). Esta faz parte da minha coleção de grandes momentos (tal como a de ontem,claro está!!) que quardo religiosamente no meu arquivo de video.

Imagino á noite em Belém,deve ter levado poucas da Dna.Maria por ter tido a veleidade de dizer coisas sem terem passado pelo crivo da senhora.(o que vale é que não se estragam duas casas...if you know what i mean!!!(que diabo,também tenho o direito de ser foleiro com umas englesices!!)

Estou mesmo a vêr que com aquela conversa do "dinheirinho de parte todos os meses" (quantos portugueses conseguem fazer o mesmo?????) o casal deve ter um porquinho daqueles de loiça onde coloca as "moedinhas".

Enfim!!!!!! Já votaram duas vezes no sujeito para presidente "desta coisa"(fora o resto!!) não é verdade????

NÃO SE QUEIXEM!!!!!!

Como para mim já é demasiado tarde para me pôr "ao fresco" daqui para fora,.........vou tomar um xanax!!!!

Daniel Bacelar

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Manuel Alegre, não desertou, mas atraiçoou.

"Manuel Alegre desertor" é uma expressão com 9300 entradas no Google.

"Tecnicamente pode não ter sido desertor, mas isso é o que menos importa. Estar ao lado do inimigo é uma atitude que tem um nome. Para mim foi bastante pior que a deserção", afirmou o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Vieira Matias, em declarações publicadas no jornal i.

É o Manuel Alegre locutor na Rádio Voz da Liberdade que o almirante Vieira Matias ataca.

"A deserção em si é um acto isolado, sem consequências de maior. A rádio de Argel criava danos psicológicos nas nossas tropas e incentivava o inimigo a combater mais violentamente."

O facto de, para Alegre, a guerra ser injusta não demove as acusações do almirante.

"Poderia ser a opinião dele, mas não lhe dava o direito de criar condições para causar mais baixas nos seus compatriotas"

Manuel Alegre, nem as tarefas de Alferes do Exército Português, conseguiu desempenhar como devia. Quer agora ser Presidente da República de Portugal, um País pelo qual recusou dar o seu sangue.

Devia era candidatar-se a Presidente da Argélia, ou da Albânia, e deixar-nos em Paz.

Foto de guillamepazat/Kameraphoto

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Pior a amendôa do que o cianêto...

O Sr. Silva, meteu a pata na poça.

Não falou como e quando o devia ter feito, e quando abriu a boca, foi para deixar tudo e todos mais baralhados do que antes.

Tudo em alvoroço. Foi uma declaração de guerra ao governo dos Sócretinos.

E estes, não tardaram em retaliar. Com um, comunicado violento, disseram, que é necessário cortar o mal pela raiz.?!?!?

O que é que querem dizer com isto?


Querem demitir o Sr. Silva?...Ou será que querem aplicar o golpe Hondurenho?

To be continued.

Por sua vez, o Presidente, insinuou que o PS, ou alguém do PS tentou manipular a Presidência da Républica, algo que não é novidade nenhuma. Mas porque é que não pôs os nomes aos bois?

Declarou-se um ingénuo, um analfabeto em informática, transmitindo a ideia de insegurança, que não abona de maneira nenhuma a instituição.

O homem da Capadócia, perdeu-se nas grutas da memória, e mostrou ao País, quão mal estamos governados.

Titubeante, ceráfico, chutou para o lado e pôs fora da carroça, o seu amigo de longa data, Fernando Lima, que tantas vezes lhe safou a onça, quando as quezílias com a imprensa tiveram que ser resolvidas discretamente.

Enfim, as feras soltaram-se na pista do circo da politica nacional.

Sem mêdo e sem vergonha, já nos vão preparando para o cenário de eleições dentro de pouco tempo.

E quem paga, somo nós.

Votaram neles, agora, aguentem-se.